Caminha lenta, sombra que se arrasta ,
Pelos becos da alma, onde a luz não passa.
Caminhos escuros, que a névoa ameaça,
E a melodia da vida se desfaça .
Pesa no peito, um nó que aperta forte,
Sussurra segredos de um adeus sem porte.
Lembra ausências, amores que a sorte
Levou para longe, num invisível norte.
Abala os sentidos, derrete a emoção,
É chuva fina sem tarde de sol,
É o canto rouco de um rouxinol,
É o choro da flor deitando ao chão.
Mas ela guarda no fundo do poço
Relíquias de forças a renascer,
A dor encontra a mão estendida,
Na beleza de um florescer.
Porque a tristeza, em seu pesar profundo,
Prepara o solo para um novo mundo.
E o choro de hoje, em seu silêncio mudo,
É a semente viva do amanhã fecundo.
Amarilis Pazini Aires
11/06/2025
foto amarilisaires