A velhice é um livro aberto, com páginas já amareladas,
Onde cada ruga é um capítulo, de histórias bem contadas.
É o outono da vida, que tinge os cabelos de prata,
Mas no olhar ainda brilha o sol, que a alma retrata.
É a sabedoria que se acumula, como areia no deserto,
A calma que se instala, quando o passo já não é tão certo.
É a memória que vagueia, por tempos que já se foram,
E a saudade que aperta, por amores que se doeram.
É a quietude que abraça, quando o barulho diminui,
A paz que se encontra, quando a pressa já não flui.
É o tempo de colher, o que a vida semeou,
E de agradecer, por tudo que se viveu e se amou.
É a certeza de que a jornada, um dia terá seu fim,
Mas a esperança que acende, de um novo amanhecer em mim.
A velhice é um presente, que nem todos podem ter,
A chance de reviver, e de a vida compreender.
É a beleza de um crepúsculo, com cores a desvanecer,
Mas a promessa de um novo dia, para sempre florescer.
Amarilis Pazini Aires