ROCK SOBRE RODAS
Na garupa do vento, onde a estrada é altar,
Vem a motoqueira, asfalto a beijar.
Cabelos ao léu, couro e rebeldia,
Sinfonia de motor, sua melodia.
Não teme a poeira, nem o sol a queimar,
No rugido da máquina, ela encontra seu lar.
Com luvas de lendas, e olhar de trovão,
Cruza horizontes, com fibra e paixão.
Mas num rádio antigo, num bar à beira-chão,
Ecoa uma voz, que arrepia o coração.
Ressoa a música, em acordes dolentes,
É Elvis que canta, para almas ausentes.
O Rei, no seu trono de palco e canção,
Com pose e com ginga, levanta a nação.
Um topete de glória, um sorriso de luz,
A melodia em cada passo que conduz.
Ela, com a alma livre, sem medo de amar,
Ele, com o charme que faz o mundo vibrar.
Um riso empoeirado, um olhar sedutor,
Duas lendas unidas, num breve fulgor.
Talvez uma dança, no compasso do blues,
Ou um dueto, que a alma traduz.
Ela, no seu ritmo de estrada e de chão,
Ele, na batida de um velho rock'n'roll, em uníssona canção.
Porque no fundo, em essências que voam,
Há em ambos a chama que nunca se apaga,
A paixão pela vida, a sede de ir além,
No palco do mundo, o fogo propaga.
Amarilis Pazini Aires