A memória, às vezes, tem gosto de rosas,
mesmo quando a rosa já não está mais lá.
É o perfume da ausência em noites ansiosas,
a doce lembrança que insiste em ficar.
Não é dor que me assombra, nem luto profundo,
mas a suavidade de um tempo que foi.
Um eco silente do amor mais fecundo,
que em cada lembrança, em meu peito, se constrói.
A rosa murchou, mas seu cheiro me guia
aos dias floridos, ao sol que nos via.
E assim, a saudade, em singela magia,
transforma a lembrança em pura poesia.
Que a rosa da memória, mesmo sem corpo,
perfume o caminho, console a partida,
e a alma em seu voo, sem nenhum estorvo,
se perca nos rastros de uma vida florida.
Amarilis Pazini Aires