No horizonte de arranha-céus, de concreto e paixão,
O sol se inclina, um adeus de carmesim.
Pelo viaduto, a vida em pulsação,
São Paulo respira, um momento sem fim.
Luz alaranjada beija os edifícios,
Janelas acendem, pontos de estrelas no chão.
A cidade se veste em novos indícios,
Um dia que finda, um novo coração.
Ecos de risadas, buzinas, cantigas,
No entardecer que a pressa faz parar.
Histórias escritas nas vielas antigas,
E outras que ainda estão por se iniciar.
Da Paulista ao centro, um véu dourado,
A rotina se acalma, a gente desacelera.
No céu que se tinge, um quadro pintado,
A paz que a noite de mansinho nos gera.
E assim, entre sombras e raios finais,
A gente se entrega a essa magia singela.
O pôr do sol em São Paulo, entre risos e ais,
Promete um novo amanhã, da janela à favela.
Amarilis Pazini Aires