Em recantos da alma, oculta e sombria,
Mora a Inveja, víbora que espia.
Seu olhar, um veneno, gélido e fatal,
Contamina o que toca, torna o bem em mal.
Não se nutre do próprio, mas do alheio brilho,
Do sucesso do outro, de seu doce trilho.
Transforma a alegria em amarga dor,
E o contentamento em rancoroso ardor.
Vê no riso alheio um motivo pra chorar,
No aplauso merecido, um punhal a cravar.
Deseja o que não tem, mas não por ambição,
E sim pra que o outro perca sua evolução.
Corrói por dentro, um fogo que consome,
Deixa a alma vazia, um fardo sem nome.
Porque o que se inveja, por mais que se alcance,
Nunca preenche o abismo, nem traz bonança.
Libertar-se dela é um ato de amor,
Crescer com o que se tem, sem falso valor.
Que a luz da gratidão dissipe a escuridão,
E a Inveja se desfaça em pura ilusão.
Amarilis Pazini Aires