O relógio não tem ponteiros
E os dias se confundem em noites sem luar.
As palavras não têm peso,
O que era, já não é mais,
O que foi, não se pode apagar.
A saudade é um peso invisível,
Um nó na garganta que insiste em ficar.
A felicidade é uma porta trancada,
A chave perdida,
O desejo de chorar.
Nenhum abraço preenche
O vazio que me consome.
Nenhum sorriso acalma
A tempestade que me inunda.
Nenhum lugar é o meu lugar.
Onde eu vou, a angústia me segue.
Onde eu fico, a angústia me abraça.
E essa angústia, infinita.
Infinita.
Infinita.
Amarilis Pazini Aires