Em passos lentos, a alma sem remanso,
Sem a mão amiga, o riso que afasta.
Um homem só, no seu próprio cansaço,
Onde a esperança há muito se gasta.
No olhar, a fúria que não encontra porto,
A teia fina de um nervosismo denso.
O mundo, um palco de eterno transtorno,
E o coração, um vácuo, um abismo imenso.
Uma solidão sem rosto,
Um vazio que não é triste,
Um corpo que caminha sem rumo,
E uma alma que em si persiste.
O eco de risadas que não são tuas,
O abraço que não é para ti,
A melodia que toca na rua,
E um coração que bate sem fim.
O invejoso, em seu mundo de amargura,
Vê no alheio um brilho que não perdura.
Compara a sorte, o riso, o bem-estar,
E no seu peito, um vazio a morar.
Construiu muros com a própria dor,
Isolou-se em seu íntimo rancor.
A solidão, companheira leal,
Num deserto de autoengano, um final.
Amarilis Pazini Aires