A tarde cai com um peso sem nome,
Uma luz amarelada que não aquece.
O mundo segue seu ritmo, o seu volume,
E meu eco interno emudece.
Há um buraco, um abismo no peito,
Não de amor perdido ou de ferida recente.
É o nó da garganta que não tem jeito,
O medo sem causa, a dor que a alma sente.
Onde está o propósito, a linha, a razão?
Onde se esconde a alegria que me foge?
Sou só um grão de poeira na vastidão,
Tentando entender o que me move hoje.
Busco na rua, na face, na voz,
Um sinal, um farol, uma resposta.
Mas o silêncio grita entre nós,
E a melancolia se mostra disposta.
A dor é um oceano sem margem,
Um espelho que reflete o nada.
E eu, perdido nessa viagem,
Busco a estrela que nunca foi achada.
Amarilis Pazini Aires