Rastro na Vidraça
O luar se inclina, tímido e discreto,
Um filete de prata a vazar na escuridão,
Desenha na vidraça um risco reto,
Silencioso carimbo da imaginação.
É o rastro da lua, fria e fugidia,
Que cruza o quarto, corta o chão de madeira,
Uma fenda na noite, breve e macia,
Luz que se esgueira da alta ribanceira.
E a janela, porta entre o dentro e o lá,
Guarda o segredo desse brilho mudo,
Um convite ao sonho que irá começar,
Um mapa escrito no horizonte de tudo.
É só um reflexo, mas pulsa, respira,
Promessa de paz para a alma desperta.
A lua prossegue a rota que a inspira,
Deixando a saudade na janela aberta.
Amarilis Pazini Aires
Foto-amarilisaires