O Silêncio dos Outros Dias
O silêncio dos outros dias não é o vazio
Que a pressa da rotina costuma ignorar.
É a pausa suspensa, um rio que se fez estio
E guarda na areia o que não pôde vazar.
Não são as paredes mudas da segunda-feira,
Nem a espera ansiosa por um toque de alarme.
É a cor invisível de uma vida inteira
Que a voz resolveu se calar.
É o peso da frase que ficou por dizer,
O olhar desviado, o livro na estante,
O sonho guardado, o amor hesitante,
A busca ansiosa sem tempo ou lugar.
Nos dias que não foram contados
O grito abafado por trás da janela.
O silêncio não é ausência, é espelho turvo
Onde a alma se curva e tenta encontrar.
A melodia roubada em algum desvio curvo
Que a coragem negou-se a cantar.
Um coro de ecos, do tempo, do caso,
Que pulsa e ressoa e volta a silenciar .
Amarilis Pazini Aires
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