A xícara na mão, o vapor se eleva,
Um convite sutil à calma que me leva.
O tempo se alonga, a pressa se desfaz,
Neste instante morno, tudo encontra a paz.
Grão moído, água quente, o rito se instala,
A mente desacelera, a alma se cala.
O aroma da vida em notas de amargor,
Um gole de silêncio com doce sabor.
E a poesia surge, sem pressa de ser,
No compasso lento de um novo amanhecer.
Pois o café é pausa, o respiro no dia,
O luxo singelo da nossa utopia.
E no fundo da xícara, o que resta é a calma,
A certeza de ter encontrado a alma,
Neste breve intervalo, onde a pressa não mora,
E a vida é bebida a cada aurora.
Amarilis Pazini Aires