Na ponta dos dedos, a leveza do toque,
A alma se despe, sem temor ou choque.
O tempo se curva, a urgência se abranda,
E o verso nascido, em silêncio, se expande.
Não há mais o "eu", nem o peso do nome,
Só a pura palavra, liberta da fome
Do mundo que chama, que exige, que corre;
Aqui, onde a tinta na fibra percorre,
A vida é somente o que o sentir impõe.
O poeta não escreve, ele apenas transpõe
A luz que no peito, em segredo, reside,
E em traços de sombra, a verdade se exibe.
Um sopro de vento, um gemido do mar,
Tudo se resume no verbo a pulsar.
É o transcender da alma em papel bordado,
Um rascunho de Deus que foi aqui deixado.
A poesia não mente, não oculta, não finge,
É o coração do mundo que na folha atinge.
E em cada leitura, o milagre se refaz.
Assim nasce o poema, e ele nunca morre mais.
Amarilis Pazini Aires
foto amarilisaires
roselves Alveshá 4 horas
O silêncio poético é vida a expandir brilho num ressoar de liberdade dos sentidos . Vibra a vida com seu ar , suas cores, imagens e sons. Vibra a vida na inspiração renovadora e tão nítida. Vibra a vida na emoção do sentir. Maravilhosa poesia. Abraço.