A nuvem densa, preta e fria,
Cobriu o azul, roubou o dia.
E o vento uivou, com força insana,
Uma dor que é quase humana.
A vida então se fez de trovão,
Um mar revolto no coração.
Gota a gota, lágrima, suor,
A alma à prova, o medo, a dor.
Mas a semente no chão espera,
A certeza de uma primavera.
Pois o ciclo da dor se finda,
Nenhuma treva é infinita e linda.
O raio corta, mas não permanece,
O vendaval vira brisa que tece.
E a tempestade, por mais que doa,
É só um tempo, ela logo voa.
Olhe o horizonte que se revela,
Um filete de luz, uma aquarela.
O sol, que parecia exilado,
Retorna manso, lado a lado.
A grama verde, lavada e nova,
Mostra que a força se renova.
Fica a lição, e não o estrago,
O arco-íris sobre o lago.
Você é o mastro, forte e em pé,
Que provou a sua fé.
E a bonança que a custo chega,
É a paz que a alma almeja.
Pois a lição do céu que chora,
É que toda dor tem sua hora.
A tempestade não dura para sempre,
Renasça agora, viva o presente!
Amarilis Pazini Aires
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