Quando o outono despe as árvores de cor
E o frio aperta o peito da paisagem,
O ipê-roxo irrompe, em singular fulgor,
Um grito de vida que ignora a aragem.
Não tem pressa, nem medo de florir
Quando tudo ao redor se faz cinzento.
Em seus galhos nus, resolve resistir,
Transformando o rigor em encantamento.
Cálice a cálice, um roxo de paixão,
Pintura a óleo sobre o céu de agosto.
É a força que brota do chão,
Um estandarte erguido, com bom gosto.
E quando as flores caem, em suave dança,
Cobrem o asfalto, viram tapeçaria.
É a efêmera beleza, a eterna esperança,
Que o ipê-roxo, majestoso, irradia.
Amarilis Pazini Aires
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