Inseguro, Indeciso!
Início e pauso. É mesmo aqui que devo?
A caneta treme, um objeto frágil.
Sobre o papel branco, que me parece novo
Demais para abrigar um pensamento vil.
"Fale a verdade," o eco me exige,
Mas qual das tantas me veste melhor?
Se escrevo "amor," talvez eu me obrigue,
E se for só faísca, e não for calor?
Risco a palavra, mas só a metade,
Deixo um espaço vasto, um buraco a céu.
Se o ponto final é uma vaidade,
Talvez o meu verso deva ser um véu.
E se a voz que tenho for apenas ruído?
E se o poema, afinal, for só um erro?
Melhor o silêncio, o indizível, o esquecido,
Ou arrisco um ponto... e espero o que for zero?
Amarilis Pazini Aires