O Mesmo Templo, O Mesmo Por Do Sol!
Somos espelhos, reflexos infinitos,
Fragmentos de um único pulsar.
Na tua lágrima salgada, há a substância
Que meu olho também pode derramar.
No instante em que o nosso olhar se faz completo,
E o "eu" se dissolve no brilho do "nós",
Descobrimos que todo nosso afeto
É a melodia da mesma e única voz.
Somos rios que correm para o mesmo mar,
Somos raios que partem do mesmo centro.
E a única lei que precisamos honrar
É o Respeito, nosso real sacramento.
A irmandade é a ponte que ousamos erguer
Sobre o abismo de todo preconceito.
Não é igualar, mas sim acolher
O diferente no centro do peito.
Tuas vestes, teu sotaque, o teu rito,
São línguas que a alma aprende a traduzir.
Em cada diferente e singular infinito,
Encontramos um modo novo de existir.
Do conforto à luta, do pensar ao fazer,
Que a consciência de ser irmão nos comande.
Pois só haverá paz no nosso viver
Quando a justiça for terra em que todos andem.
Amarilis Pazini Aires
Foto Amarilis Aires