A Visita da Saudade
A Saudade chega sem fazer barulho,
Não bate à porta, não tem hora certa.
É feita de um silêncio em tom de acalanto,
E de uma dor que, estranhamente, acerta.
Não é o luto inteiro, preto e fundo,
Mas a cor suave de um sonho que passou.
É a prova viva que o melhor do mundo
Um dia aqui na vida nos tocou.
Ela não chora o tempo que se perde,
Mas rega a flor da imagem que restou.
No peito, é um jardim ingenuo,
Sem o sol da memória que o plantou.
É a voz que se ouve sem som nenhum,
O abraço que sentimos sem o ter.
Mas sabemos que foi um momento
Que vive, na memória da gente.
Amarilis Pazini Aires
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