Um Furtivo Olhar
Um instante ladrão, de soslaio,
A ponte que o silêncio armou.
Não o encaro franco, em ensaio,
Mas a alma que em ti se revelou.
É a luz rápida, escondida no véu,
Um mapa breve de um desejo mudo,
A verdade inteira sob o céu
Que a boca hesita em dizer tudo.
Nele mora o risco e a certeza rasa
Do que é proibido, ou será porvir;
Uma faísca acesa dentro de casa,
Que o mundo não pode e não deve ouvir.
Se o meu olho te busca, não te digo amar,
Digo apenas: existe, e é nosso o segredo.
Nesse furtivo olhar, a chama a queimar,
Queima a casca e o receio e o medo.
E o tempo congela no ar, parado e risonho.
Amarilis Pazini Aires
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