Adeus, campo de pinheiros, sussurram os ventos,
Você jaz em silêncio onde houve juramentos.
De sombra e frescor, de resina no ar,
Um verde imponente que a vida a embalar.
E a frase se torna um lamento no chão,
Você foi ceifado pela ganância do homem.
Não pelo destino, nem pelo que é natural,
Mas pelo metal frio de um corte fatal.
Onde o musgo beijava a casca rugosa,
Onde o bem-te-vi tecia a sua prosa,
Restam só tocos, cicatrizes sem fim,
Testemunhas mudas de um trágico motim.
A floresta tombada, outrora catedral,
Agora é promessa de um lucro venal.
O ar puro se turva, a névoa é de poeira,
A pressa destrói, de forma ligeira.
O pinheiro, que alçou sua flecha ao luar,
Tinha séculos de alma a respirar.
Mas o olhar do Senhor da Máquina não via
A beleza que ali, na altura, existia.
Via apenas o metro, o cifrão, o valor,
O custo e a receita, sem dó nem pudor.
E a mão que devia plantar e cuidar
Preferiu o Machado que veio sangrar.
Adeus, campo de pinheiros. O que fica é a dor
Do eco vazio, sem o seu esplendor.
E a terra, desfeita, agora aprende a lição:
Que a maior das pragas é a ambição sem perdão.
Amarilis Pazini Aires