O Veneno Doce Da Íris
O olhar fere muitas vezes o que o incomoda.
Envia azedumes ao que o amofina,
Atira flechas envenenadas com sabor adocicado
E investe num sorriso sarcástico, abençoando.
O olhar veste uma carapuça de brilhantes,
Desviando a dor que o faz se sentir inferior.
No fundo, a máscara treme, a face cala,
Numa mímica de força que o peito exala.
E enquanto a íris cintila em falso fulgor,
Revela o preço amargo de tão vã dor.
A verdade reside, muda, além da retina,
Na sombra que a alma, receosa, confina.
E a pálpebra desce, fugaz e ligeira,
Tentando apagar a mágoa que a ninguém nomeia.
Mas o pranto contido, lágrima de diamante,
Espelha o tormento de um ser suplicante.
Amarilis Pazini Aires