Silêncio
O Silêncio não é ausência, mas a plenitude
De todas as palavras que não encontraram voz.
É o espaço vasto de uma grande amplitude,
Onde a alma escuta o que reside em nós.
Não é o vácuo oco, mas a tela pura e branca
Onde a mente projeta a forma do que é.
A pausa sagrada onde o espírito atranca
O passo apressado que nos faz perder o pé.
No seu manto denso, o tempo se suspende,
E o ruído do mundo se afasta e se cala.
Cada batida do coração se compreende,
E a verdade interior, enfim, se desinstala.
É o santuário onde a pressa não penetra,
O luxo raro que a modernidade negou:
O Silêncio é a chave que a alma desenterra
Para ouvir o que a vida, afinal, nos legou.
Amarilis Pazini Aires