O Som Silencioso da Lágrima
Há um estrondo mudo no rosto,
Um peso que a gravidade desata,
Não nasce do grito ou do encosto,
Mas do que a alma, em segredo, maltrata.
É um cristal que se molda no escuro,
Esculpido no centro do peito,
Atravessa o cansaço e o muro,
Buscando, na face, um leito.
Não faz barulho de vidro quebrando,
Nem o baque do ferro no chão,
É o som de um rio transbordando
Por dentro da solidão.
É nota baixa, quase inaudível,
Que ecoa no vácuo do ser,
A prova mais viva e visível
Do que o coração não consegue dizer.
Cai como um ponto final de um verso,
Molhando o silêncio do agora,
É o desaguar de um universo
Que finalmente resolve ir embora.
Amarilis Pazini Aires