No Compasso do Bandoneon!
Não me peça a leveza das valsas,
Nem a alegria vã de um sol de verão.
Minha alma prefere as sombras descalças,
Onde o bandoneon dita a pulsação.
Amo o tango porque ele não mente,
Diz no rosto o que o peito escondeu.
É o drama de um corpo que sente
O peso de um passo que nunca foi seu.
É o abraço que é laço e lamento,
Onde o peito se encosta no cais.
Um segundo parado no tempo,
E um adeus que não volta jamais.
Entre o corte e a firme quebrada,
Minha vida se faz melodia.
Prefiro a paixão amargurada,
À rima de uma falsa alegria.
Amarilis Pazini Aires