O Limiar do Tempo
O relógio parou na fresta da porta,
entre o fôlego curto e a palavra morta.
Não há mais como adiar o destino:
ou o laço se aperta, ou se faz desatino.
Unir é ser rio que se perde no mar,
é abrir mão do "meu" para o "nosso" herdar.
É o nó que sustenta, o calor que abriga,
a coragem de ser uma só alma antiga.
Mas exige a renúncia, o ajuste, o cuidado,
de não se perder por estar ao lado.
Separar é ser bússola em busca do norte,
é o corte preciso que exige ser forte.
É o silêncio que volta a ocupar o lugar,
o direito de novo de apenas... estar.
É a dor do rasgo, o frio da partida,
mas o reencontro com a própria vida.
Na balança do peito, o peso é igual,
entre o porto seguro e o vendaval.
Não há erro ou acerto na escolha que vem,
há apenas a trilha que o peito contém.
Escolha o que faz o seu passo mais leve,
pois a vida é um sopro, e o tempo é breve.
Seja união que transborda ou distância que cura,
que a paz seja sempre a sua moldura.
Amarilis Pazini Aires