Título Amarilis Pazini Aires - Poetando!
Frases,poesias e versos.
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Textos

O Bibliotecário da  Mentira

 

Quem mente precisa de mil prateleiras,

De pastas, arquivos, de datas e nomes;

Ergue muros altos, inventa fronteiras,

Mas a própria memória o devora e consome.

 

É um arquivista de fios invisíveis,

Tecendo o ontem com o talvez.

Buscando álibis sempre plausíveis,

Jogando o xadrez da própria insensatez.

 

A mentira exige vigília constante,

Um mapa de notas que não tem final.

O medo de um lapso, de um erro gritante,

Que mude o roteiro e revele o real.

 

Já a verdade... essa não tem rascunho.

Não gasta o tempo com o que foi que eu disse?

Não pede plateia, nem busca testemunho,

Nem teme que o tempo a desmonte ou enlouquece.

 

A verdade é nua, caminha no vento,

Sem malas pesadas de explicações.

Ela dorme no agora, no puro momento,

Livre do cárcere das simulações.

 

Um peito descansa, o outro vigia;

Um vive o presente, o outro o passado.

A verdade é paz, é a luz do dia.

A mentira é um livro... de autor condenado.

 

Amarilis Pazini Aires 

Amarilis Pazini Aires
Enviado por Amarilis Pazini Aires em 24/01/2026
Alterado em 24/01/2026
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