O Altar do Silêncio
O tempo escureceu lá fora,
e eu, por escolha, fechei a cortina.
Não é fuga, nem é demora,
é só a alma que em si se ilumina.
Há um conforto em não ser nada
além do que se sente no peito.
Sem máscara, sem pose ensaiada,
em paz com cada erro e defeito.
A casa vazia é um templo sagrado,
onde o silêncio não pesa, nem dói.
É o luxo de estar bem acompanhado
da própria voz que o tempo não rói.
Sozinho, descubro que sou vasto,
um universo que o ruído escondia.
E no conforto desse meu rastro,
faço da calma a minha melhor companhia.
Amarilis Pazini Aires