O Horizonte de um Centímetro
Curvado sobre o próprio eixo,
O mundo termina logo abaixo do queixo.
Um nó de pele, um ponto cego,
O altar supremo do próprio ego.
Lá fora, o sol desenha o dia,
A vida pulsa em ventania.
Mas quem se fecha nesse abismo,
Confunde fôlego com narcisismo.
Não vê a mão que pede o braço,
Não sente o peso de outro passo.
Coleciona fiapos de solidão,
Numa redoma sem pulsação.
O espelho é curto, a vista é rasa,
Esquece que o mundo também é sua casa.
Pois quem só olha para o próprio centro,
Acaba mofando do lado de dentro.
Levanta o rosto, o céu é largo,
O umbigo é fundo e o gosto é amargo.
Há um universo além desse nó,
Onde ninguém precisa caminhar só.
Olhar para si é importante para o autoconhecimento, mas ficar preso ali é como tentar ver o mar através de um buraco de fechadura, não acha?
Amarilis Pazini Aires