O Que Restou…
Perdi a pressa nas esquinas vãs,
Onde o relógio era um senhor algoz;
Deixei o fôlego das manhãs
E o grito agudo da minha voz.
Mas, ao pousar o pé com lentidão,
Notei que a alma estava mais exposta:
A vida, em troca da mansidão,
Levou o brilho de cada resposta.
Já não me apresso para o que virá,
Pois sei que o tempo não se deixa enganar.
Mas dói saber o que não volta mais:
Aquela crença de que o mundo é paz,
O olhar de espanto, o riso sem porquê...
Hoje ando devagar, mas sem por quem.
Parece que o preço da sabedoria é justamente esse: trocar a velocidade pela nitidez, mesmo que o que a gente enxergue agora seja menos colorido do que antes.
Amarilis Pazini Aires