O Alicerce de Seda
Ser mulher é habitar o centro de um furacão
com a calma de quem conhece o segredo das marés.
É carregar nos olhos o mapa de gerações,
e nos pés, a firmeza de quem planta o amanhã
em solo que muitos julgaram árido.
A grandeza não mora no grito,
mas na ressonância do silêncio;
na capacidade de ser abrigo e, ao mesmo tempo, estrada.
É a geometria sagrada de se multiplicar
sem nunca deixar de ser inteira.
É ser o verso que não se rende à métrica,
a voz que atravessa séculos sem perder o tom.
Uma força que, tal qual a água,
contorna a rocha, esculpe o tempo
e prova que a suavidade é a forma mais alta de poder.
Amarilis Pazini Aires