Angústia
Entre as fendas do peito, o eco mudo,
Um peso sem forma, que o ar consome,
É um nó que aperta, que trava tudo,
Uma dor sem rosto, um mal sem nome.
O tempo arrasta-se em passos de chumbo,
As horas são sombras num muro frio,
Perde-se a bússola, perde-se o rumo,
No leito deserto de um largo rio.
É o grito preso que não encontra a foz,
O horizonte que se apaga no olhar,
A solidão que nos rouba a própria voz,
E o medo constante de não despertar.
Mas na folha branca, o peso se verte,
A caneta traça o que a alma não diz,
Pois quando a angústia em verso se converte,
Abre-se a porta para um dia aprendiz
Amarilis Pazini Aires