O Adeus Inacabado
A boca disse "foi", a mão acenou o fim,
mas o pé, traidor, fincou-se no tapete.
O adeus que eu lancei não saiu de mim,
ficou suspenso no ar, feito um lembrete.
Esqueci de cumprir o que o verbo ditou,
deixei a porta encostada, a luz acesa.
O desapego que a voz tanto anunciou
perdeu-se no meio da estrada e da incerteza.
Dizer é fácil, o som se espalha no vento,
difícil é ensinar o corpo a não voltar,
a não buscar no espelho o mesmo alento.
Se o adeus não se cumpre, ele vira assombro,
um peso morto que eu insisto em carregar,
equilibrando a ausência em cada ombro.
Amarilis Pazini Aires