O Repouso da Corrente
O corpo pede o manto, o abrigo e a clausura,
Cedendo ao peso amargo que o entardecer traz.
Na imobilidade, a carne se faz cura,
Enquanto a alma, enfim, desaprende a ser paz.
Pois quando o passo para e o mundo se cala,
O pensamento acorda em curso de rio.
O que era cansaço, na mente se instala
Como um fluxo bento, constante e vazio.
Sou margem que dorme e corrente que corre,
Sou o nó que se solta no escuro do quarto.
Enquanto o dia, exausto, no horizonte morre,
No silêncio do corpo, o pensar faz seu parto.
Amarilis Pazini Aires