E Agora?
Como andar pelas estradas perdidas, por entre as estações invertidas e machucadas?
Como sentir a emoção doente de tantos impasses e estresses?
Suavizar o caminho nas encostas escondidas da pele?
Desbotar a cor impregnada de essência vencida?
Correr rios margeando a nudez interior?
Desbravar o corpo inerte, gritando a liberdade escondida?
Um caminho de flores e ramos verdes,
uma estrada de rosas vermelhas,
um andar de hortênsias azuis beirando o extremo colo.
Um soluçar de rosas amarelas,
uma penca de hibiscos queimando o chão
e deixando-o vermelho, em gotas… salpicadas de dor.
No rastro desse sangue botânico,
o silêncio finalmente se faz raiz.
Onde o pé ferido toca a terra,
a alma desaprende o peso da armadura
e aceita, enfim, o destino de ser apenas chão:
um mapa de pétalas rasgadas
sob o céu que, mesmo mudo,
ainda insiste em amanhecer.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires