O Ofício das Horas
O Ofício das Horas
Se o tempo cura, não é por mágica ou sorte,
Nem por apagar o rastro que o ontem deixou.
Ele cura mudando o peso, tornando menos forte
O fardo que a memória, insistente, guardou.
Não é que a ferida deixe de ser cicatriz,
Ou que o relógio funcione como um pano;
É que a vida, em seu curso sempre aprendiz,
Vai tecendo novos dias sobre o antigo dano.
Se o tempo cura, ele o faz com paciência,
Transformando o grito em um eco distante,
Até que a dor perca sua urgência
E a alma se sinta, de novo, adiante.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires