Quando a Musica Tocou!
E a música tocou, sutil, sem pressa,
Um fio de saudade, um que de promessa.
Entrou pelos ouvidos, achou um lugar
Onde a alma, quieta, vivia a esperar.
Cada nota era um toque, uma pétala leve,
Dissolvendo a névoa do que o tempo tece.
O piano chorava num tom cristalino,
E o violino respondia ao seu destino.
A batida, então, era o pulso que acorda,
O ritmo antigo que a memória borda.
E no compasso exato, sem nada a dizer,
O silêncio do peito aprendeu a florescer.
Porque a música não é só som e vibrar,
É a cor invisível que vem nos pintar.
É o mapa secreto de um sonho guardado,
Que, ao ser despertado, se torna sagrado.
E enquanto a melodia ainda paira no ar,
Sinto que o mundo para só para escutar.
E sou, neste instante, apenas a canção,
Um eco de beleza no meu coração.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires 