O Fado de um Amor Ausente
Nas cordas de uma guitarra que chora,
O peito recolhe o que o tempo deixou.
A sombra da lua que invade esta hora
Sabe bem do silêncio que o grito calou.
As vielas do bairro, de pedra e de vento,
Guardam o eco de um passo que era o meu par.
O fado é o nó, o deserto, o tormento
De quem tem o destino no verbo esperar.
O vinho descansa em um copo esquecido ,
A cadeira vazia é um altar de dor.
O que era presença hoje é só um ruído,
No rádio que toca um antigo fado
em louvor.
Canta a garganta o que a mente não nega,
A ausência é um barco que não tem cais.
Quem ama no fado, à noite se entrega,
Buscando o caminho dos "nuncas" e "mais".
Amarilis Pazini Aires
Foto Ilha da Madeira