Esse Tal de Tédio!
O relógio na parede não caminha,
ele tropeça em segundos de chumbo.
A tarde é uma página em branco, vazia,
onde o silêncio se estica pelo mundo.
Não é tristeza, nem chega a ser cansaço,
é um bocejo da alma diante do espelho;
o tempo se dissolve em cada passo,
e o teto torna-se o único conselho.
As horas são formigas sobre a mesa,
carregando farelos de nada e de agora.
A mente desenha uma incerta incerteza,
enquanto a vida, lá fora, demora.
É o peso do ar, a falta de pressa,
um vácuo que habita o meio do peito;
quando o mundo inteiro parece promessa,
mas o corpo prefere ficar deitado, quieto.
Amarilis Pazini Aires
18/04/2026