Desilusão
O peso de tudo o que não foi
acumulado no canto da boca,
um gosto de ferro,
de palavras que voltaram para trás
porque não encontraram lugar no mundo.
As expectativas eram prédios de vidro
e agora eu caminho descalça, sobre os restos
há apenas o ruído seco
da queda.
não me peça métrica.
como medir o tamanho de um vácuo?
o que sobrou é esse borrão:
um mapa rasgado
uma bússola que gira em falso
apontando para todos os nãos que eu já ouvi.
a desilusão é a liberdade mais cruel que existe.
finalmente,
não espero mais nada.
posso, enfim,
gritar no escuro.
Amarilis Pazini Aire