Arquitetura do Silêncio
Essa tristeza que não pede licença, entra e vai tomando conta de tudo como se fosse a dona imperial.
Invade as emoções e derruba a estátua principal.
Move-se como se conhecesse o caminho e as curvas sinuosas que pertencem a uma única espécie.
Como deixá-la perdida no meio estático?
Como bani-la do momento invadido e preenchido pelo vácuo de sua própria presença?
Talvez o segredo seja reconstruir o monumento,
pedra por pedra, no silêncio da retomada,
até que a intrusa se sinta estrangeira
no solo que nunca deixou de ser meu.
Amarilis Pazini Aires