Caixas de Veludo
Nem todo mar transborda em tempestade,
há rios que correm fundos, sem alarde,
levando o peso de uma eternidade
no peito que, em silêncio, ainda arde.
O mundo pede o grito, o som, o vento,
a exposição do que é de natureza rara,
mas há um tipo sutil de sentimento
que só floresce onde a luz não o encara.
São segredos em caixas de veludo,
palavras que o lábio nunca pronunciou;
o coração, esse mestre mudo,
conhece o mapa de onde o sonho pousou.
Não é medo da voz, nem é deserto,
é o zelo de quem sabe, com razão:
o que é sagrado fica mais perto
se descansa guardado na palma da mão.
Amarilis Pazini Aires