Desencanto!
A amizade, que outrora era porto e abrigo,
Torna-se agora um eco distante de quem já fomos,
Um desencontro silencioso entre o que se espera
E a realidade árida que o tempo insiste em moldar.
Fica o vazio do que poderia ter sido,
A lacuna deixada por palavras que o orgulho calou,
Ou por passos que tomaram rumos diferentes,
Enquanto um lado ainda esperava o reencontro.
É o peso de notar que o brilho se extinguiu,
Não por briga ou rancor, mas por pura ausência,
A falta de um olhar que reconheça a mudança
E aceite que a descoberta também exige despedida.
A decepção é esse nó que se aperta no peito,
Ensinando que nem toda história é feita para durar,
E que renovar-se, por vezes, significa seguir só,
Levando as lembranças, mas deixando o peso para trás.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires