Linhas de Espinho
No silêncio que o corpo desenha,
a dor física é um hóspede sem rosto.
Ela não pede licença, não se empenha
em ser breve; apenas impõe seu motivo.
É um ferro em brasa, um nó cego na carne,
que transforma o fôlego em curto compasso.
Não há pensamento que dela se encarne
sem que o mundo se torne um estreito espaço.
O mapa dos membros, antes tão leves,
agora se traça em linhas de espinho.
As horas se tornam promessas breves
de um alívio que erra o caminho.
É o grito mudo que a pele encarcera,
um peso que a alma tenta traduzir,
enquanto a vida, no escuro, espera
pela coragem de apenas existir.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires