O Cofre de Vidro
O que guardo na alma não tem nome,
não aceita o rigor do dicionário,
é bicho solto que de luz se consome
num canto mudo, longe do cenário.
É um segredo feito de neblina,
tecido em fios de um ontem distante,
que ora me espreita, ora me ilumina,
como o brilho opaco de um diamante.
Não é medo, nem falta, nem pecado,
é apenas o que o tempo não traduz;
um jardim por muros abraçado,
onde o silêncio faz sombra de luz.
Deixo que durma sob o meu cansaço,
protegido do mundo e do ruído,
pois o que é d’alma não ocupa espaço,
só vibra no peito, mesmo esquecido.
Amarilis Pazini Aires
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