O Caminhar da Vida
Versão II
A casa, que outrora rugia em risos e pressa,
Hoje é um aquário de silêncios e sombras.
Onde havia o eco de passos pequenos, de festa,
Resta o pó que repousa nas molduras e tapeçarias.
Os filhos, sementes que o tempo lançou ao vento,
Criaram raízes em solos distantes, estranhos.
Esqueceram o tronco, o antigo sustento,
E a seiva do afeto minguou nos desvãos dos anos.
A poltrona tornou-se o trono de uma espera vazia, voltada para o portão que não range.
O telefone um objeto mudo, na espera de um alô que o domingo não traz.
O retrato onde o tempo parou em cores vivas, contrastando com as mãos trêmulas que o limpam.
A velhice é o tempo em que o mundo nos olha, mas já não nos vê.
Os filhos por vezes esquecem que o caminho que trilham hoje foi aberto pelos pés cansados que agora descansam no esquecimento.
Amarilis Pazini Aires