A Partitura do Vento
O vento não usa tinta,
usa o que encontra no caminho:
a folha seca que principia o ritmo,
o assobio agudo no vão da fechadura,
e o silêncio súbito que encerra o movimento.
Escrever a partitura do vento é aceitar que a obra é efêmera. Ele desenha arabescos na poeira, assina nomes na superfície do lago e, antes que possamos ler a última linha, vira a página com um sopro, deixando-nos apenas com o eco de uma melodia que nunca se repete.
O vento é o único maestro que rege a orquestra sem olhar para os músicos; ele sabe que a música já está dentro de cada coisa que toca.
Amarilis Pazini Aires