O Lastro do Tempo
Há um peso doce no que o tempo esquece,
uma herança muda, de raízes profundas,
que no solo da alma devagar floresce
entre águas passadas e terras fecundas.
São memórias de ferro, de linho e de barro,
guardadas no escuro, longe da vitrine,
como o rastro antigo de um velho perfume,
ou o tom de uma voz que o vento define.
Não é fardo que verga, é alicerce que firma,
um segredo gravado em casca de carvalho;
é a mão do passado que o presente confirma,
frescor de saudade, gota de orvalho.
Guardo esse ontem no cofre do peito,
com o zelo de quem cuida de um templo sagrado,
pois o que é antigo merece o respeito
de ser, na alma, o meu bem mais estimado.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires