Esse Tal de Tédio
"O relógio na parede não caminha,
ele tropeça em segundos de chumbo.
A tarde é uma página em branco, vazia,
onde o silêncio se estica pelo mundo.
"Não é tristeza, nem chega a ser cansaço,
é um bocejo da alma diante do espelho;
o tempo se dissolve em cada passo,
e o teto torna-se o único conselho."
"As horas são formigas sobre a mesa,
carregando farelos de nada e de agora.
A mente desenha uma incerta incerteza,
enquanto a vida, lá fora, demora."
"É o peso do ar, a falta de pressa,
um vácuo que habita o meio do peito;
quando o mundo inteiro parece promessa,
mas o corpo prefere ficar deitado, quieto."
Amarilis Pazini Aires
18/04/26
Fotoamarilisaires
E a cada tropeço, mais pesados ficam meus pés
Minha mão, desanimada, não encontra forças para escrever uma linha sequer nessa página
E o silêncio, ensurdecedor, ressoa em meus ouvidos
Depressão não. Um vazio no pensamento sem memórias
O espelho mostra minhas costas largas
O tempo está liquefeito onde chapinho meus passos
E o teto desce, me pressionando na cama
Formigas em fila indiana equilibrando farelos maiores que a si mesmas
Marcham em direção ao formigueiro
E a certeza da mente é essa incerteza incerta
E a demora, é a da continuidade da vida
É o espesso do ar que meu peito tenta inalar, em vão
Promessa prometida, sem perspectiva
E o corpo ? Ah ! O corpo fica estirado, olhos abertos, olhando o teto descer.
Rafael Fernando Trani
28/05/26