O Labirinto de Vidro(Alzheimer)
As palavras, antes pássaros em pleno voo,
Agora pousam em galhos que o vento quebrou.
O rosto no espelho é um estranho familiar,
Um livro lido cujas páginas insistem em apagar.
A manhã pergunta pelo ontem, mas não há resposta,
A saudade é uma porta que se fechou, mas não proposta.
O fio de candura rompeu-se no meio do caminho,
E o herói se vê só, em seu próprio ninho.
Mas no silêncio do nome que se perdeu,
Ainda pulsa o rastro do que se viveu.
Não é o fim do ser, mas uma nova estação,
Onde o toque substitui a explicação.
Pois quando a mente decide se retirar,
O coração, teimoso, ainda sabe amar.
Amarilis Pazini Aires
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