O Ritual do Silêncio
Cansa o ruído das vozes sem norte,
o riso ensaiado, a pressa banal.
Trocar a multidão não é um corte,
é só um regresso ao leito essencial.
Há um tempo em que o mundo transborda,
e a alma exige o avesso do nó.
A maturidade acalma e recorda:
há uma imensa nobreza em ficar só.
Não é orgulho, desdém ou vaidade,
nem o peso de um tempo que lá vai.
É o pacto discreto que vem com a idade:
quando o excesso esmorece, o essencial cai.
Trocam-se as festas por cantos vazios,
as grandes plateias pelo próprio olhar.
Longe do fluxo de discursos tardios,
há um silêncio maduro para habitar.
Amarilis Pazini Aires
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